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Humanidade
O mundo não me parece perfeito,
Mas não ser perfeito não me parece defeito,
Ter uma percepção aguçada parece ser
interessante,
Mas conhecer a verdade pode ser decepcionante.
Críticas à vida humana são constantes,
Feitas por uma raça ora elogiável, ora
aterrorizante.
A humanidade tem teorias repletas de falhas,
Que busca fleuma através de batalhas.
Nossa existência é simplesmente injustificável,
E abarrotada de aconchegantes mentiras,
Onde a morte é única coisa incontestável,
Enquanto as consequências não podem ser
previstas.
Escrito por: Ruy Graça
Minha melhor amiga, Kelly, tem 17
anos de idade, três anos mais nova que eu, no entanto ela costumava ser tratada
em casa como se fosse uma criança extremamente inocente, ela mesma me disse
isto. Infelizmente, nunca tive autorização para entrar na casa dela, ou melhor,
nenhum rapaz jamais pôde fazer isto, pois os pais dela eram muito conservadores
(ou seria melhor dizer preconceituosos?) e argumentavam que seria impróprio
para uma moça dar um alto grau de intimidade a um homem e blá blá blá. Mas no
aniversário de casamento de seus pais ela me ligou e disse:
- Vem aqui em casa agora! Meus pais
saíram para jantar, ninguém precisa ficar sabendo que você esteve aqui.
Fui de imediato, mas pouco menos de
5 minutos depois que cheguei, os pais dela voltaram! Não sabíamos por que eles
decidiram voltar, mas tive que me esconder no quarto dela, e teria que ficar lá
até de manhã para sair sem ser notado. De repente o casal começou uma intensa
discussão, e eu percebi que Kelly logo ficou triste ao ouvir os gritos de seu
pai:
- Nem me peça dinheiro este mês! Vai
ficar trancada em casa, que é o seu lugar! Você deveria estar agradecida por eu
lhe dar oportunidade de me servir. Fora daqui você não significa nada! E se
reclamar, já sabe o que eu faço com você, não é?
Logo depois que ele disse isto, ouvi
duas pessoas chorando: Kelly e sua mãe. Ela me contou que isto era frequente,
há anos; Perguntei a ela se nenhuma das duas havia denunciado ele por medo, mas
minha amiga apenas disse:
- Denunciar pelo quê? Ele nunca
bateu nela.
- Mas se ele humilha sua mãe, fica
controlando suas ações e ainda faz ameaças, está cometendo o crime de violência
doméstica, mesmo que não seja física! Eu sei que é seu pai e você deve gostar
muito dele, mas eu não posso ser omisso num caso destes!
Mesmo sem o consentimento delas, eu
o denunciei pelo “disque 100”, aproveitando que nossa legislação permite que
tal ato seja praticado por qualquer pessoa; Ele foi enquadrado no inciso II do
artigo 7º da Lei 11340/2006 (conhecida como Maria da Penha); As autoridades
competentes tomaram as devidas medidas protetivas e a assistência adequada à
vítima, e no decorrer dos dias descobri que a situação era muito pior do que
aparentava, desencadeando necessariamente um processo conjunto nas áreas penal
e cível.
Conto escrito por: Ruy Graça
Duas semanas atrás fui assaltado a
caminho da faculdade por um rapaz forte que portava uma faca, desde então ando
olhando para todos os lados; Ontem eu estava indo visitar um antigo colégio
católico que estudei durante a infância, mas no trajeto eu tive a infelicidade
de reencontrar o homem que me assaltou! Não sei se ele me reconheceu, mas vi
que ele olhou diretamente nos meus olhos, e minha única reação foi correr!
Acabei me esbarrando em um jovem que estava andando lentamente em minha frente,
usando fones de ouvido, mesmo assim continuei correndo sem olhar para trás;
Quando estava atravessando às pressas um viaduto, acabei me esbarrando
novamente, desta vez numa freira interna do colégio que eu ia visitar. Ela vinha andando rápido pelo lado contrário, e 1
segundo depois que passou por mim perdeu o equilíbrio e caiu do viaduto! Por
reflexo, eu ainda tentei segurá-la, mas não deu tempo. Enquanto ela caía
gritava intensamente, e eu não tive coragem de olhar o corpo chegar ao chão,
mesmo assim tive o maior susto da minha vida! Quando olhei para o lado avistei
o jovem que tinha se esbarrado em mim segundos antes tirando os fones do ouvido
e me encarando com ódio, como se eu tivesse empurrado ela de propósito. Eu ia
explicar que tinha sido um acidente, mas ele correu em minha direção me
insultando e entrou numa luta corporal comigo, tentando me jogar de lá de cima!
Golpeei-o e corri novamente, sem saber para onde, até o corpo não aguentar. Ao
cansar peguei o primeiro táxi que vi e voltei para casa, e ao chegar chorei
desesperadamente, me perguntando se aquilo tinha sido culpa minha. Durante os
poucos minutos que consegui dormir, tive um pesadelo com o ocorrido. No
momento, eu não sei o que fazer, ou se há algo que eu possa fazer.
Conto escrito por: Ruy Graça
Conto escrito por: Ruy Graça
O caso do garoto Kevin, morto tragicamente após o disparo de
um sinalizador naval, em Oruro, durante a partida entre San José e Corinthians,
vem sendo retratado como mais um caso de violência no futebol. O
garoto estava em um estádio de futebol e o artefato partiu da torcida
adversária. Ponto. Para alguns, essas duas informações já são suficientes para
tratar o caso da mesma forma que tratariam se o jovem fosse morto a pedradas
durante uma briga entre as duas torcidas. Obviamente, são situações bem diferentes.
(Suposto momento do disparo do sinalizador que atingiu Kevin)
No ocorrido no estádio boliviano, não há relato de qualquer
hostilidade entre os torcedores, e o disparo, de acordo com a maioria das
versões, ocorreu da forma acidental. É
logico que isso não absolve os corinthianos que levaram um sinalizador naval a
um estádio de futebol. Foi uma insanidade. Mas, da mesma forma, não exime de
culpa os policiais bolivianos, responsáveis pela revista de torcedores, e que,
segundo testemunha de um repórter do Lance, sequer se deram ao trabalho de
revistar os jornalistas que lá estavam. Bastava apresentar-se como tal pra ter
acesso ao campo de jogo.
É incompreensível o fato de boa parte das discussões ter
girado em torno da violência das torcidas organizadas. Poucos discutiram sobre
a facilidade com que os brasileiros conseguiram entrar em um estádio de futebol
com uma arma letal. O San José e a Conmenbol, responsáveis por organizar o jogo
e o torneio, respectivamente, precisam ser punidos.
(Corinthianos presos na Bolívia. Segundo a polícia local, 2 dos 12 detidos estavam portando sinalizadores. Os demais foram indiciados como cúmplices)
Outra questão que me chamou atenção foi a pena coletiva
imposta aos torcedores. Durante 60 dias os corinthianos estarão impedidos de
acompanhar o clube na copa Libertadores, dentro ou fora de casa. É uma medida
extrema e talvez o caso exija algo desse tipo. Mas, ao contrário do que alguns
fizeram durante a semana, não dá pra afirmar que será essa a solução. No
Brasil, por exemplo, várias punições desse tipo já foram impostas aos clubes e
torcedores e o efeito foi próximo à zero. A essa altura pouco se dá importância
a busca pelo culpado, a punição imposta ao grupo supostamente inibiria outros
torcedores que se aventurassem a levar armas desse tipo aos jogos. Penso,
entretanto, que a identificação e punição do torcedor que disparou o
sinalizador daria o claro recado que em casos como esse o indivíduo não sairia impune.
Enfim, é um fato tão novo e complexo, em que há uma clara
dificuldade para emitir qualquer opinião. Mas não dá pra minimizar. O caso vai
além da violência no futebol. Passa pela desorganização e incompetência de quem
deveria garantir a segurança no evento e também diz muito sobre outras
questões. Li várias opiniões sobre o caso, e finalizo compartilhando o
interessante ponto de vista do jornalista Rica Perrone, fugindo do lugar comum:
“O futebol reflete as
cidades que moramos, as polícias que nos protegem e os perigos que enfrentamos.
Não o contrário. Pacaembu estará vazio daqui pra frente. Como se ali estivesse
o problema, como se lá fosse iniciar uma solução. Vazio. O estádio, nosso poder
de reação, nosso senso de justiça e a nossa idéia de vingança. A morte no
futebol choca mais, mas não tem diferença nenhuma pra morte na rua escura de um
morro que sequer sai no jornal. Acredite: O problema é o mesmo, o criminoso
quase sempre também. Só que num dos casos pedimos cadeia, no outro, suspensão
de mando de campo”.
Timidez tem o seu toque de charme, faz as pessoas
quererem arrancar frases ou sorrisos de quem é tímido; Por outro lado, pode ser
embaraçoso e trazer alguns prejuízos, principalmente porque às vezes as
oportunidades são desperdiçadas pelo simples medo de tomar uma atitude ou pela
falta de coragem para falar algo.
No
meu caso, a timidez era apenas um disfarce do meu verdadeiro problema: Eu
sempre fui gago e passei grande parte da minha vida sem entender o motivo,
apenas ficava envergonhado de me expressar, porque já fui alvo de muitas
brincadeiras maldosas e as pessoas que não gostavam de mim gritavam centenas de
palavras acusadoras em extrema rapidez e me interrompiam se valendo de que eu
não conseguiria revidar verbalmente a tempo!
Meus familiares sempre me viram de uma maneira
diferente, como se eu fosse o garoto mais frágil e digno de pena. Triste é ver
que as pessoas que me amam tentam me ajudar completando as frases que eu
começo, mas na verdade não é isto que eu quero. Hoje eu sei que eu não tenho um
problema psicológico que me faz
gaguejar, mas sim uma perturbação involuntária de origem psicomotora. Estou
fazendo tratamento e estou gradativamente melhorando, e em certas situações
muita gente nem sequer percebe que eu gaguejo.
De agora em diante não permitirei
que meu ego seja diminuído! Estou disposto a correr atrás do prejuízo que tive
por estar desenformado a respeito de mim mesmo, inclusive tentar resgatar meu
amor perdido há alguns meses; Sei que o rapaz que a minha amada está saindo é
só um passatempo e que não tem a compatibilidade que tenho com ela, nem a
entende como eu. Mas desta vez, serei suficientemente capaz de pedi-la em
namoro!
Conto escrito por: Ruy Graça




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