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Humanidade

domingo, 17 de março de 2013
Por Ruy

Humanidade


O mundo não me parece perfeito,
Mas não ser perfeito não me parece defeito,
Ter uma percepção aguçada parece ser interessante,
Mas conhecer a verdade pode ser decepcionante.

Críticas à vida humana são constantes,
Feitas por uma raça ora elogiável, ora aterrorizante.
A humanidade tem teorias repletas de falhas,
Que busca fleuma através de batalhas.

Nossa existência é simplesmente injustificável,
E abarrotada de aconchegantes mentiras,
Onde a morte é única coisa incontestável,
Enquanto as consequências não podem ser previstas.




Escrito por: Ruy Graça


Ataque moral

domingo, 10 de março de 2013
Por Ruy




Minha melhor amiga, Kelly, tem 17 anos de idade, três anos mais nova que eu, no entanto ela costumava ser tratada em casa como se fosse uma criança extremamente inocente, ela mesma me disse isto. Infelizmente, nunca tive autorização para entrar na casa dela, ou melhor, nenhum rapaz jamais pôde fazer isto, pois os pais dela eram muito conservadores (ou seria melhor dizer preconceituosos?) e argumentavam que seria impróprio para uma moça dar um alto grau de intimidade a um homem e blá blá blá. Mas no aniversário de casamento de seus pais ela me ligou e disse:
- Vem aqui em casa agora! Meus pais saíram para jantar, ninguém precisa ficar sabendo que você esteve aqui.
Fui de imediato, mas pouco menos de 5 minutos depois que cheguei, os pais dela voltaram! Não sabíamos por que eles decidiram voltar, mas tive que me esconder no quarto dela, e teria que ficar lá até de manhã para sair sem ser notado. De repente o casal começou uma intensa discussão, e eu percebi que Kelly logo ficou triste ao ouvir os gritos de seu pai:
- Nem me peça dinheiro este mês! Vai ficar trancada em casa, que é o seu lugar! Você deveria estar agradecida por eu lhe dar oportunidade de me servir. Fora daqui você não significa nada! E se reclamar, já sabe o que eu faço com você, não é?
Logo depois que ele disse isto, ouvi duas pessoas chorando: Kelly e sua mãe. Ela me contou que isto era frequente, há anos; Perguntei a ela se nenhuma das duas havia denunciado ele por medo, mas minha amiga apenas disse:
- Denunciar pelo quê? Ele nunca bateu nela.
- Mas se ele humilha sua mãe, fica controlando suas ações e ainda faz ameaças, está cometendo o crime de violência doméstica, mesmo que não seja física! Eu sei que é seu pai e você deve gostar muito dele, mas eu não posso ser omisso num caso destes!
Mesmo sem o consentimento delas, eu o denunciei pelo “disque 100”, aproveitando que nossa legislação permite que tal ato seja praticado por qualquer pessoa; Ele foi enquadrado no inciso II do artigo 7º da Lei 11340/2006 (conhecida como Maria da Penha); As autoridades competentes tomaram as devidas medidas protetivas e a assistência adequada à vítima, e no decorrer dos dias descobri que a situação era muito pior do que aparentava, desencadeando necessariamente um processo conjunto nas áreas penal e cível.




Conto escrito por: Ruy Graça


Acidente

segunda-feira, 4 de março de 2013
Por Ruy





Duas semanas atrás fui assaltado a caminho da faculdade por um rapaz forte que portava uma faca, desde então ando olhando para todos os lados; Ontem eu estava indo visitar um antigo colégio católico que estudei durante a infância, mas no trajeto eu tive a infelicidade de reencontrar o homem que me assaltou! Não sei se ele me reconheceu, mas vi que ele olhou diretamente nos meus olhos, e minha única reação foi correr! Acabei me esbarrando em um jovem que estava andando lentamente em minha frente, usando fones de ouvido, mesmo assim continuei correndo sem olhar para trás; Quando estava atravessando às pressas um viaduto, acabei me esbarrando novamente, desta vez numa freira interna do colégio que eu ia visitar. Ela  vinha andando rápido pelo lado contrário, e 1 segundo depois que passou por mim perdeu o equilíbrio e caiu do viaduto! Por reflexo, eu ainda tentei segurá-la, mas não deu tempo. Enquanto ela caía gritava intensamente, e eu não tive coragem de olhar o corpo chegar ao chão, mesmo assim tive o maior susto da minha vida! Quando olhei para o lado avistei o jovem que tinha se esbarrado em mim segundos antes tirando os fones do ouvido e me encarando com ódio, como se eu tivesse empurrado ela de propósito. Eu ia explicar que tinha sido um acidente, mas ele correu em minha direção me insultando e entrou numa luta corporal comigo, tentando me jogar de lá de cima! Golpeei-o e corri novamente, sem saber para onde, até o corpo não aguentar. Ao cansar peguei o primeiro táxi que vi e voltei para casa, e ao chegar chorei desesperadamente, me perguntando se aquilo tinha sido culpa minha. Durante os poucos minutos que consegui dormir, tive um pesadelo com o ocorrido. No momento, eu não sei o que fazer, ou se há algo que eu possa fazer.




                                                                                                                                              Conto escrito por: Ruy Graça

Mais que um caso de violência no futebol

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Por Unknown

O caso do garoto Kevin, morto tragicamente após o disparo de um sinalizador naval, em Oruro, durante a partida entre San José e Corinthians, vem sendo retratado como mais um caso de violência no futebol. O garoto estava em um estádio de futebol e o artefato partiu da torcida adversária. Ponto. Para alguns, essas duas informações já são suficientes para tratar o caso da mesma forma que tratariam se o jovem fosse morto a pedradas durante uma briga entre as duas torcidas. Obviamente, são situações bem diferentes.

(Suposto momento do disparo do sinalizador que atingiu Kevin)

No ocorrido no estádio boliviano, não há relato de qualquer hostilidade entre os torcedores, e o disparo, de acordo com a maioria das versões, ocorreu da forma acidental.  É logico que isso não absolve os corinthianos que levaram um sinalizador naval a um estádio de futebol. Foi uma insanidade. Mas, da mesma forma, não exime de culpa os policiais bolivianos, responsáveis pela revista de torcedores, e que, segundo testemunha de um repórter do Lance, sequer se deram ao trabalho de revistar os jornalistas que lá estavam. Bastava apresentar-se como tal pra ter acesso ao campo de jogo.

É incompreensível o fato de boa parte das discussões ter girado em torno da violência das torcidas organizadas. Poucos discutiram sobre a facilidade com que os brasileiros conseguiram entrar em um estádio de futebol com uma arma letal. O San José e a Conmenbol, responsáveis por organizar o jogo e o torneio, respectivamente, precisam ser punidos.

(Corinthianos presos na Bolívia. Segundo a polícia local, 2 dos 12 detidos estavam portando sinalizadores. Os demais foram indiciados como cúmplices)

Outra questão que me chamou atenção foi a pena coletiva imposta aos torcedores. Durante 60 dias os corinthianos estarão impedidos de acompanhar o clube na copa Libertadores, dentro ou fora de casa. É uma medida extrema e talvez o caso exija algo desse tipo. Mas, ao contrário do que alguns fizeram durante a semana, não dá pra afirmar que será essa a solução. No Brasil, por exemplo, várias punições desse tipo já foram impostas aos clubes e torcedores e o efeito foi próximo à zero. A essa altura pouco se dá importância a busca pelo culpado, a punição imposta ao grupo supostamente inibiria outros torcedores que se aventurassem a levar armas desse tipo aos jogos. Penso, entretanto, que a identificação e punição do torcedor que disparou o sinalizador daria o claro recado que em casos como esse o indivíduo não sairia impune.

Enfim, é um fato tão novo e complexo, em que há uma clara dificuldade para emitir qualquer opinião. Mas não dá pra minimizar. O caso vai além da violência no futebol. Passa pela desorganização e incompetência de quem deveria garantir a segurança no evento e também diz muito sobre outras questões. Li várias opiniões sobre o caso, e finalizo compartilhando o interessante ponto de vista do jornalista Rica Perrone, fugindo do lugar comum:

“O futebol reflete as cidades que moramos, as polícias que nos protegem e os perigos que enfrentamos. Não o contrário. Pacaembu estará vazio daqui pra frente. Como se ali estivesse o problema, como se lá fosse iniciar uma solução. Vazio. O estádio, nosso poder de reação, nosso senso de justiça e a nossa idéia de vingança. A morte no futebol choca mais, mas não tem diferença nenhuma pra morte na rua escura de um morro que sequer sai no jornal. Acredite: O problema é o mesmo, o criminoso quase sempre também. Só que num dos casos pedimos cadeia, no outro, suspensão de mando de campo”.

Atitude!

domingo, 24 de fevereiro de 2013
Por Ruy


           
Timidez tem o seu toque de charme, faz as pessoas quererem arrancar frases ou sorrisos de quem é tímido; Por outro lado, pode ser embaraçoso e trazer alguns prejuízos, principalmente porque às vezes as oportunidades são desperdiçadas pelo simples medo de tomar uma atitude ou pela falta de coragem para falar algo.
            No meu caso, a timidez era apenas um disfarce do meu verdadeiro problema: Eu sempre fui gago e passei grande parte da minha vida sem entender o motivo, apenas ficava envergonhado de me expressar, porque já fui alvo de muitas brincadeiras maldosas e as pessoas que não gostavam de mim gritavam centenas de palavras acusadoras em extrema rapidez e me interrompiam se valendo de que eu não conseguiria revidar verbalmente a tempo! 
Meus familiares sempre me viram de uma maneira diferente, como se eu fosse o garoto mais frágil e digno de pena. Triste é ver que as pessoas que me amam tentam me ajudar completando as frases que eu começo, mas na verdade não é isto que eu quero. Hoje eu sei que eu não tenho um problema psicológico que me faz gaguejar, mas sim uma perturbação involuntária de origem psicomotora. Estou fazendo tratamento e estou gradativamente melhorando, e em certas situações muita gente nem sequer percebe que eu gaguejo.
            De agora em diante não permitirei que meu ego seja diminuído! Estou disposto a correr atrás do prejuízo que tive por estar desenformado a respeito de mim mesmo, inclusive tentar resgatar meu amor perdido há alguns meses; Sei que o rapaz que a minha amada está saindo é só um passatempo e que não tem a compatibilidade que tenho com ela, nem a entende como eu. Mas desta vez, serei suficientemente capaz de pedi-la em namoro!




Conto escrito por: Ruy Graça